Reprodução de matéria publicada no Blog do J.A. Gueiros
Enviado por J.A. Gueiros 25.10.2009| 0h01m
Histórias da Barra antiga – 37
A Fazenda Alegria
No início de 1990 iniciou-se na Vargem Pequena o primeiro parque
ecológico da Barra, a Fazenda Alegria. Foi uma iniciativa do sociólogo Pedro
Moreira Machado, dinâmico empreendedor, pioneiro da nossa região, que implantou
no meio da mata, numa área de 480 mil m2, um espaço de lazer e educação
ambiental atraindo famílias com suas crianças e grupos escolares para viver a
natureza em seu estado mais puro. Foi um sucesso sem precedentes. Nos fins de
semana, Pedro Machado recebia cerca de 4 mil pessoas em sua Fazenda Alegria, e
3 mil no meio da semana. A fazenda oferecia 10 piscinas de água natural com
cachoeiras e parques aquáticos, turbo água e tobogãs. As crianças, assistidas
por bem treinados guias, passeavam em trilhas na floresta, cruzando uma
fazendinha de animais, com cavalos, ovelhas, cabras, vacas sendo ordenhadas,
coelhos e outros bichinhos mansos para alegria de toda a família. Havia pontes
de cipó, como nos filmes de Tarzan, cenários de Indiana Jones, animadores
infantis, enfim, o paraíso da meninada. Os pais traziam toda a família,
soltavam a tropa na mata, vigiada pelos guias, e iam tranquilamente degustar
uma bebida ou comer um bom churrasco no ponto, nos vários quiosques do entorno.
Todos podiam fazer pitorescas excursões até o alto de uma colina dentro da mata
e de lá contemplar o panorama glorioso da Barra e do Recreio vistos do céu.
Pedro realizou toda essa obra por conta própria, sem a menor contribuição dos
cofres públicos. Era um idealista e tinha imenso prazer em oferecer às crianças
de apartamento um espaço natural onde pudessem aprender que quem bota ovo não é
geladeira. A fazenda dava muito trabalho e custava fortunas com equipamentos
caros dos brinquedos aquáticos e a tropa de funcionários para movimentar a
festa diária. Pedro foi se desgostando com o número de invasões e assaltos que
sofria constantemente, sem ter como se defender, dada a extensão da área dentro
da floresta. A gota d’água foi o roubo do seu papagaio de estimação. O Lourinho
era o encanto de sua vida, falava como gente grande, comia na mesa com o Pedro
e sabia perguntar: – Está gostoso?
Gostava de sair montado no seu ombro, e se iam passear no jipe o papagaio saia
na frente, voando, como se fosse um guia do caminho. Certa noite, algum
perverso malfeitor, o carregou para sempre. Pedro chorou a perda como se fosse
a de um filho. Desgostoso fechou a fazenda e foi morar uns tempos na Nova
Zelândia. Agora, de volta ao Rio, quer vender seu parque e aposentar-se.
Relembra, como no samba de Noel, que a fazenda tinha o cantar alegre do
viveiro, mas foi-se a sonoridade que acabou…

Cenas da antiga Fazenda Alegria em Vargem Pequena
vendo-se na primeira imagem o criador do parque, o sociólogo Pedro Machado,
brandindo a placa da “Fazendinha”, um espaço só reservado às crianças
dentro do complexo ecológico.